USP-CENA/PCLQ
DIVULGAÇÃO DA TECNOLOGIA 
DE IRRADIAÇÃO  DE ALIMENTOS 
E OUTROS MATERIAIS

Irradiação de Alimentos

Texto: Adriano Costa de Camargo
Orientação: Prof. Dr. Júlio Marcos Melges Walder
Laboratório de Irradiação de Alimentos e Radioentomologia



A irradiação de alimentos é um tratamento que consiste em submeter os alimentos, já embalados ou a granel, a uma quantidade minuciosamente controlada de radiação ionizante, por um tempo prefixado e com objetivos bem determinados. O processo não aumenta o nível de radioatividade normal dos alimentos. (IAEA, 1992).

O objetivo da irradiação aplicada a alimentos é o aumento de sua vida útil. Este processo de conservação pode ser aplicado em vários tipos de alimentos. Além de aumentar o tempo de conservação, o tratamento pode ser utilizado para a destruição de insetos, bactérias patogênicas, fungos e leveduras. O retardo de maturação e senescência (envelhecimento) de frutas e a inibição de brotamento de bulbos e tubérculos também podem ser citados como influências benéficas na conservação desses alimentos.

Segundo DIEHL (1995) o processo de irradiação pode impedir a divisão de células vivas, tais como bactérias, e de células de organismos superiores, ao alterar suas estruturas moleculares, além de retardar a maturação de algumas frutas e legumes, ao produzir reações bioquímicas nos processos fisiológicos dos tecidos vegetais.

O uso da irradiação como tratamento para preservação de alimentos foi aprovado pela Organização da Agricultura e Alimentos - FAO (1999), para doses acima de 10 kGy por não oferecer efeitos negativos sob o ponto de vista nutricional e toxicológico nos alimentos.
 

Em reunião realizada no dia 26 de janeiro de 2001 e aprovada pela Diretoria Colegiada da Agência Nacional da Vigilância Sanitária - ANVISA, foi aprovada a Resolução (RDC) n. 21 que diz que qualquer alimento poderá ser tratado por radiação desde que a dose máxima absorvida seja inferior àquela que comprometeria as propriedades funcionais e ou os atributos sensoriais do alimento. Nela contém o Regulamento Técnico para Irradiação de alimentos no Brasil, onde foi considerada a necessidade de aperfeiçoamento das ações de controle, bem como a de atualizar, harmonizar e consolidar as normas e regulamentos técnicos relacionados a todos os alimentos tratados por irradiação (BRASIL, 2001; OLIVEIRA, 2000).

A legislação vigente exige que a indústria ao utilizar irradiação em alimentos deve assegurar que o cliente final saiba que este foi tratrado com este processo, deixando isso claro na embalagem. A embalagem deve conter a informação: "Alimento Tratado por Processo de Irradiação". No caso de alimentos vendidos a granel, deve-se colocar uma faixa com a indicação citada, pode-se também utilizar o símbolo ao lado, que indica que o alimento foi tratado por irradiação.

Experiências com teste de mercado e venda comercial de alimento irradiado provaram que consumidores informados não são contra o alimento irradiado mas preferem que este seja rotulado como tal. O rótulo proporciona aos consumidores a oportunidade de escolha (ICGFI, 1991).


Bibliografia


BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, Resolução - RDC n.21, de janeiro de 2001. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 29 de janeiro de 2001. Disponível em http://anvisa.gov.br/legis/resol/21_01rdc.htm. Acesso em 26 de janeiro de 2007. 

DIEHL, J.F. Safety of irradiated foods. New York: Marcel Dekker, 1995. 454p. 

INTERNATIONAL CONSULTIVE GROUP ON FOOD IRRADIATION. Facts about food irradiation. Viena, 1999. 48p.

INTERNATIONAL ATOMIC ENERGY AGENCY - IAEA. Use of irradiation as a quarantine treatment of food and agricutural commodities.  Viena,  1992. 66p.

OLIVEIRA, L.C. Present situation on food irradiation in South America and the regulatory perspectives for Brasil. Radiation Physics and Chemistry, Oxford, v.57, p. 249-252, 2000.

WORLD HEALTH ORGANIZATION . High-dose irradiation: Wholesomeness of food irradiated with doses above 10 kGy. Geneva, 1999. 203p.

 
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